Baixo Alentejo, Cidade Europeia do Vinho 2026

4 de fevereiro de 2026

Onde o vinho em ânforas antigas se encontra com uma cultura vinícola viva em Portugal

Em 2026, o Baixo Alentejo entrará no palco europeu do vinho como Cidade Europeia do Vinho 2026, um título atribuído pela RECEVIN, trazendo um ano de eventos vinícolas, adegas abertas e experiências culturais em todo o sul de Portugal.

Mais do que uma distinção simbólica, este reconhecimento celebra uma região vinícola onde 2000 anos de história ainda estão vivos, moldados por ânforas de barro, tradições comunitárias e uma relação profundamente enraizada entre a terra, o vinho e as pessoas.

Estendendo-se pelo sul de Portugal, o Baixo Alentejo é amplamente considerado como o berço do Vinho de Talha, uma das tradições vinícolas mais antigas da Europa, ainda hoje fermentado em grandes vasos de barro, ânforas, tal como era feito na época romana.

Vinhas que se estendem pela paisagem ondulante do Baixo Alentejo, no sul de Portugal

As vinhas moldam as paisagens abertas do Baixo Alentejo, uma região vinícola onde a tradição, o clima e o território definem uma identidade distinta.

O que significa «Cidade Europeia do Vinho 2026»?

O título de Cidade Europeia do Vinho é atribuído anualmente às regiões vinícolas que demonstram:

• Forte ligação histórica e cultural à viticultura
• Turismo enológico ativo enraizado nas comunidades locais
• Compromisso com a sustentabilidade, o património e a inovação

Para 2026, o Baixo Alentejo foi selecionado em detrimento de outros candidatos portugueses, incluindo o Algarve e os Açores, reconhecendo a sua identidade vinícola autêntica, a sua cultura viva do vinho em ânforas e o seu potencial para ligar o vinho à ciência, saúde, desporto e património.

Ao longo do ano, mais de 300 atividades relacionadas com o vinho terão lugar em toda a região, transformando o Baixo Alentejo numa celebração ao ar livre da cultura do vinho que durará um ano.

A designação de Cidade Europeia do Vinho reflete o crescente reconhecimento das regiões vinícolas históricas de Portugal a nível europeu. Depois de o Vale do Douro ter detido o título em 2023, os holofotes voltam-se agora para sul, para o Baixo Alentejo, uma região onde o vinho é produzido continuamente há mais de dois milénios e onde as antigas tradições da talha (ânforas de barro) continuam a fazer parte da vida quotidiana.

Abertura oficial: Beja, 7 de fevereiro de 2026

A abertura oficial da Cidade Europeia do Vinho 2026 terá lugar a 7 de fevereiro de 2026, no Cine-Teatro Pax Julia, em Beja.

Esta gala de abertura irá:

• Lançar o programa anual completo
• Reunir produtores, municípios e instituições culturais
• Assinalar o primeiro brinde simbólico a um ano dedicado ao vinho, ao território e à identidade

Beja, com as suas raízes romanas, património medieval e cultura vinícola de longa data, funciona como uma porta de entrada natural para a região do Baixo Alentejo.

Os 13 municípios por trás do título

Ao contrário de uma única cidade anfitriã, a Cidade Europeia do Vinho 2026 é partilhada por 13 municípios, cada um contribuindo com as suas paisagens, tradições e expressões vinícolas:

• Aljustrel
• Almodôvar
• Alvito
• Barrancos
• Beja
• Castro Verde
• Cuba
• Ferreira do Alentejo
• Mértola
• Moura
• Ourique
• Serpa
• Vidigueira

Esta abordagem coletiva reforça a ideia de que a cultura vinícola do Baixo Alentejo é territorial, comunitária e descentralizada, profundamente ligada às aldeias, tabernas e tradições familiares, em vez de apenas aos grandes monumentos.

Vila histórica de Mértola com vista para o rio Guadiana, no Baixo Alentejo

Mértola, uma das cidades históricas do Baixo Alentejo, onde a paisagem, o património e a antiga cultura vinícola se encontram ao longo do rio Guadiana.

Por que o Baixo Alentejo é diferente: o vinho em ânfora no seu cerne

Ao contrário de regiões onde a produção de vinho em ânforas foi recentemente recuperada como tendência, no Baixo Alentejo ela nunca desapareceu. O que realmente distingue este território de outras regiões vinícolas europeias é o uso contínuo de ânforas de barro, conhecidas localmente como talhas.

Aqui, o vinho ainda é:

• Fermentado em grandes ânforas de barro
• Frequentemente produzido em pequenas quantidades
• Partilhado em tabernas e casas
• Intimamente ligado aos rituais sazonais e à vida comunitária

Esta tradição viva faz do Baixo Alentejo um dos raros locais onde o vinho de ânfora não é uma moda, mas uma constante cultural.

👉 Para uma compreensão mais profunda deste método antigo, publicaremos em breve um artigo dedicado ao Vinho de Talha no Alentejo.

Seis temas que moldam o programa de 2026

O programa European Wine City 2026 está estruturado em torno de seis temas centrais, concebidos para ligar o vinho a diferentes aspetos da vida contemporânea:

1. Vinho e Património – Sítios romanos, vinhas antigas, caves talha e arquitetura rural
2. Vinho na rua – Degustações públicas, tabernas, festas nas aldeias e encontros informais
3. Vinho e Ciência – Investigação, fermentação em ânforas, adaptação climática e estudos de viticultura
4. Vinho e Saúde – Estilo de vida mediterrânico, moderação e bem-estar
5. Vinho e Desporto – Percursos pedestres, ciclismo, trilhos pelas vinhas e experiências ao ar livre
6. Eventos de Ouro – Festivais emblemáticos, encontros internacionais e momentos culturais importantes

 Em conjunto, estes temas posicionam o Baixo Alentejo não só como um destino vinícola, mas também como uma paisagem cultural holística.

Viajar para o Baixo Alentejo em 2026: o que esperar

Para os viajantes, o ano da Cidade Europeia do Vinho oferece uma oportunidade única de conhecer a região no seu melhor, sem perder a sua autenticidade.

O que esperar:

• Dias de adegas abertas e degustações de ânforas
• Rotas do vinho que ligam aldeias e paisagens
• Gastronomia enraizada nos produtos locais e na cozinha sazonal
• Encontros com produtores de vinho, agricultores e artesãos
• Eventos espalhados ao longo do ano, não concentrados num único festival

Ao contrário de regiões vinícolas mais comerciais, o Baixo Alentejo convida a viagens lentas, almoços prolongados e conversas que muitas vezes começam com vinho, mas terminam com histórias.

👉 Para os visitantes que planeiam pernoitar, aqui está a nossa seleção dos melhores alojamentos ecológicos no Alentejo, desde quintas vinícolas rurais a retiros rurais de baixo impacto ambiental.

Por que isto é importante para além do vinho

A designação de Cidade Europeia do Vinho 2026 não se resume apenas à produção de vinho. Trata-se de:

• Revitalizar as comunidades rurais
• Apoiar pequenos produtores e projetos familiares
• Promover modelos de turismo sustentável
• Preservar o património imaterial

 Como as autoridades locais e os produtores frequentemente enfatizam, 2026 é uma oportunidade para mostrar as pessoas e o território, tendo o vinho como fio condutor.

Close-up de uma ânfora de barro rotulada usada para vinho de talha em Vidigueira

Uma talha rotulada em Vidigueira, onde o vinho de talha ainda é fermentado naturalmente em vasos de barro, como tem sido há séculos.

Baixo Alentejo em 2026: uma região vinícola que vale a pena visitar

Numa Europa onde o enoturismo está cada vez mais padronizado, o Baixo Alentejo destaca-se por permanecer fiel a si mesmo.

Os seus vinhos de ânfora são imperfeitos, expressivos e profundamente locais.
As suas aldeias são tranquilas, generosas e acolhedoras.
As suas paisagens são vastas, abertas e moldadas pelo tempo, em vez da velocidade.

Ser nomeada Cidade Europeia do Vinho 2026 não é uma reinvenção — é o reconhecimento de algo que sempre esteve lá.

Ânforas de barro utilizadas para o vinho de talha numa adega tradicional do Baixo Alentejo

Ânforas de barro tradicionais (talhas) ainda hoje utilizadas para fermentar o vinho de talha no Baixo Alentejo, preservando um método de vinificação com raízes romanas.

Perguntas frequentes: Cidade Europeia do Vinho 2026

P: Por que razão o Baixo Alentejo foi escolhido como Cidade Europeia do Vinho 2026?
R: Devido à sua tradição viva do vinho em ânforas, ao forte envolvimento da comunidade e a uma ligação de 2000 anos entre o vinho, o território e a cultura.

P: O Vinho de Talha é central para o programa de 2026?
R: Sim. O Vinho de Talha e a vinificação em ânforas são elementos-chave da identidade do Baixo Alentejo e têm destaque ao longo do ano.

P: Quando começa oficialmente a Cidade Europeia do Vinho 2026?
R: A abertura oficial terá lugar a 7 de fevereiro de 2026, em Beja, com uma gala que dará início ao programa com a duração de um ano.

P: Os eventos decorrem apenas em Beja?
R: Não. As atividades estão distribuídas por 13 municípios do Baixo Alentejo, incentivando a exploração de toda a região.

P: O Baixo Alentejo é adequado para viajantes enófilos sem carro?
R: Algumas áreas são acessíveis por comboio ou autocarro, mas alugar um carro ou participar em experiências guiadas relacionadas com o vinho permite um acesso mais profundo às aldeias, adegas e caves de ânforas.

P: 2026 é um bom ano para visitar o Baixo Alentejo pela primeira vez?
R: Sim. Os eventos estão espalhados ao longo do ano por vários municípios, facilitando a experiência da cultura do vinho sem multidões ou um único momento de pico.

👉 Se o vinho é o que o traz à região, mas deseja explorar mais, o nosso guia de viagem completo do Alentejo cobre aldeias, paisagens, gastronomia e destaques culturais em toda a região.

 Escrito pela equipa da Cooltour Oporto

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